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Biografia Nasceu na Cidade da Praia, Cabo Verde. Como era tradicional na mulher portuguesa, quando Mofeliaf se casou com o pintor João José, dedicou-se cem por cento à sua família. No entanto e ainda em Angola, ajudou o marido nos seus trabalhos publicitários, participando activamente nos nesses tempos enormes cenários e “panos de boca” (15x10m) feitos para o “Monumental de Benguela”. Já na África do Sul, para onde emigraram depois de 14 anos de Angola, viu-se envolvida no ambiente artístico da Cidade do Cabo. Foi conselheira e crítica de arte, tendo ajudado a fundar o “Workshop Good Hope” onde artistas e modelos se juntavam para desenhar, pintar e modelar. Em 1965 começou a participar em algumas colectivas nas galerias Goulet, Fabian, Atlantic e nos estúdios de Peter Webber e João José. Em 1988, depois de 24 anos na África do Sul, regressa a Portugal. Agora, passados alguns anos, Mofeliaf achou que, finalmente poderia dedicar-se à sua paixão Pintar. Claro que, naturalmente começou por aquilo em que tinha mais prática e de que mais gostava pintar, Naturezas Mortas. Todos ficaram surpreendidos com a sua originalidade de cores, audácia de confecção e perspectiva e, o caso não era para menos porque, apesar dos quadros serem quase a 3 dimensões, Mofeliaf não delineia horizontes nem superfícies. As perspectivas são obtidas pelas sombras, no entanto não levando em consideração a configuração dos objectos, as sombras são sempre todas ovais! Também não usa qualquer tracejado no seu desenho, este aparece, naturalmente através do contraste das cores que, por sua vez, são sempre lisas, sem qualquer ajuda de laivos ou de meios tons, pinceladas ou texturas… Tanta irreverência ás leis da pintura de cavalete, leva o apreciador de arte a não se cansar de olhar para a obra de Mofeliaf, sentindo-se talvez intrigado consigo próprio, por estar gostando de um trabalho que, aparentemente “não devia estar certo”. Mas o que é certo é que está certíssimo, e os quadros da Mofeliaf são verdadeiras obras de arte, repletas de beleza, modernidade, força, sensualidade e uma referencia dos nossos tempos. Em 1998 Mofeliaf planeou uma nova série intitulada “Bonecas” e na sua apresentação em 1999, novamente surpreendeu com o seu espirito inventivo e novas concepções. Embora as cores sejam as mesmas cores “africanas” e as sombras continuem a não respeitar a figura, no resto é tudo diferente do seu trabalho anterior. Agora toda a “Boneca” e ambiente é fortemente desenhada, no entanto os olhos só têm a pálpebra superior, a boca é só uma meia lua e, se o rosto está de frente, não tem nariz. Apesar de elegantes, o desenho não é anatómico e como são “Bonecas”, elas não têm Algumas “Bonecas” são talvez deliciosamente provocantes, maliciosas ou atrevidas, mas isso não tem a mínima importância porque afinal, não passam de simples “Bonecas”. O resultado final é uma obra poderosa, moderna, de rara beleza pictórica, curiosamente caprichosa e fulgurantemente esplendorosa. Infelizmente Mofeliaf começou a pintar muito tarde e, o nosso mundo não irá ter tantas obras desta artista como seria de desejar. Premiada com a medalha de prata pela Académie Européenne des Arts, Paris, 1997. |
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