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Biografia Nasceu em Setúbal a 12-2-22. De 1946 a 1950 trabalha em Lisboa como artista publicitário, tendo colaborado nos jornais “Gazeta do Sul” e “O Mundo Ri”. Em 1950 emigra para Angola onde trabalha em publicidade e cenografia, tendo colaborado com os jornais “O Intransigente” e “Jornal de Benguela”. Em 1954 realizou a sua primeira exposição em Nova Lisboa (Huambo) e, com o decorrer dos anos, várias individuais e colectivas nas principais cidades de Angola. No ano de 1964 emigra para a África do Sul onde vai trabalhar em publicidade como “Arte Director” na agencia publicitária “Leonard Lilenstein” durante 4 anos, e os restantes 20 anos na “Bernestein Kennedy” que, mais tarde, se passou a chamar “Bates-International”( Sucursal da agencia americana Ted Bates ). No ano de 1964 expõe individualmente na “Rodin Gallery” na Cidade do Cabo” e, até 1988, participa em várias colectivas na mesma cidade. Regressa a Portugal em 1988 e até 2002 fez 32 exposições individuais e 114 colectivas em - Alcochete, Alenquer, Arcos de Valdevez, Aveiro, Chão de Meninos - Sintra, Carcavelos, Cascais, Caxias, Coimbra, Estoril, Lagoa, Lisboa, Lousã, Montijo, Paço de Arcos, Parede, Porto, Queluz, Reguengos de Monsarraz, Sabugal, Seixal, Sintra, São Pedro do Estoril, São Pedro de Sintra, Torres Vedras, Vila Franca de Xira e Ciney (Bélgica). É conhecido pelas séries “O Crucificado”, ”Planeta Ennes”, ”O Iniciado”, ”Arvore do Fruto Azul”, ”Primavera”, ”De Lírio” e “3 D”. “O Crucificado”, obra de grande porte, pintada na África do Sul de 1967 a 1988 (21 anos) e trazida intacta para Portugal, deve ser a maior colecção de pintura religiosa moderna e contemporânea(com mais de 120 quadros do mesmo artista) existente em Portugal. Os quadros mais pequenos desta série são 1, 25x0, 85 e os maiores 1, 64x2, 20. João José também deve ser, como pintor vivo, o mais representativo da pintura angolana dos anos 50/60. É detentor de vários prémios em artes plásticas, sendo o mais recente a medalha de ouro para pintura a óleo no Salão Internacional A.E.A., de 1999, Ciney (Bélgica). Em Angola João José apaixonou-se pela riqueza da etnografia angolana. Apesar da quase inexistência de estradas, de 1950 a 1954 já tinha percorrido mais de metade de Angola praticamente todo o litoral desde Luanda a Santo António do Zaire e de Porto Amboim a Porto Alexandre. Tinha ido a Cabinda cruzando o rio Zaire em jangada de Nóqui a Matadi ( nessa altura Congo Belga) e sempre de carro, foi á parte leste do Congo Belga, através de Teixeira de Sousa-Dilôlo. No sul foi ao nesse tempo chamado Sudoeste Africano, indo de Namacunde em Angola até Tzumeb, visitando o nesse tempo maravilhoso Etosha pan. Só ainda não tinha ido à enorme área dos diamantes porque, lhe foi negada autorização para ir a essa área e, também a algumas partes desertas, mormente no litoral. Como não podia deixar de ser, esteve uma vez perdido no deserto de Namíbia… Esta breve explanação serve para informar que, a primeira exposição de João José em 1954 em Nova Lisboa (onde foram vendidos, entre outros, 1 quadro para o bispado do Huambo e 3 para o futuro museu de Nova Lisboa ) era de etnografia angolana, assim como todas as outras exposições em Angola e a primeira na África do Sul. João José ainda tem em seu poder meia dúzia de óleos dessa época, assim como meia centena de aguarelas e gouaches. Alguns destes trabalhos estão datados de 1950 (cinquenta e dois anos de idade…) Nos primeiros anos da África do Sul, teve que se dedicar afincadamente à publicidade, mas em 1966, para quebrar a monotonia, montou o seu primeiro estúdio e, em 1967, começou a pintar a série “O Crucificado”. A série começa com Eva, Moisés, Nascimento de Jesus, Pregação, Baptismo, Traição de Judas, Negação de Pedro, Flagelação, O Carregar da cruz, A espera, Crucificação, O Bom e o Mau entre Cristo, Revolta, Saída do Espírito, Morte, Parte Astral, Descida da Cruz, Pietá, Ungimento, Crucificação de Pedro, e acaba com o Primeiro Papa. A série com cerca de 120 quadros com tamanhos de 1,25x0,85 a 1,60x2,20, foi dada como acabada em 1988 (21 anos), nunca foi exposta na África do Sul e foi trazida intacta para Portugal. As outras séries, mais pequenas, são; “No Planeta Ennes” que ocorre no espaço. O homem descobriu um planeta onde é possível a vida e experimentou habitá-la com animais. Existe o “First Step” na lua, um magnífico e espantoso “Hipopótamo de 100x160, um incrível “ Guerreiro do Espaço” e, em Londres, existe também um quadro com zebras correndo num crepúsculo de planeta desconhecido. A série “ O
Iniciado” é baseada na ideia mística de que o homem tem entre si alguns
“Iniciados” que sabem quem são, donde vieram e para onde vão…Estes seres
têm grande poder e são fantasticamente bons, havendo esperanças de que existe
pelo menos um “Iniciado” em cada país!. A série “Arvore do Fruto Azul”, é a continuação do misticismo de João José e, uma demonstração da habilidade pictórica deste artista. A série “Primavera” é um hino à alegria, em cada quadro há uma mulher e flores, muitas flores, tantas que se olharmos melhor, ainda aparecem mais. “De Lírio”, são nus, cheios de cor, tendo a protagonista um lírio. Não há qualquer carga erótica nos nus de João José. Há tanta sapiência na conjugação de desenho e cor que, o apreciador “ só vê” beleza. O delírio só está no título. A série “3 D” é a contracção de Donas , Damas e Donzelas e são geralmente 3 Mulheres de 3 gerações, nuas ou seminuas e quase sempre em ambiente familiar.
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